Anônimo
Em 12 de outubro de 1978 aconteceram alguns casos misteriosos na grande capital do Rio Grande do Sul. Estranhas mortes ocorreram em Porto Alegre, e a polícia civil ainda não tinha pistas do assassino. Naquele dia aconteceram três mortes: a primeira às nove da manhã, a segunda às duas da tarde e a terceira às dezoito horas. O detetive responsável pela investigação concluiu que estavam lidando com um serial killer bem cuidadoso e muito inteligente.
Uma coisa em especial chamou a atenção do detetive e dos policiais: nas três cenas dos crimes havia uma pequena tábua
onde estava escrito a palavra “Anônimo”. A investigação durou
meses e não conseguiram descobrir o assassino. Sem suspeitos
e sem pistas, o caso foi arquivado pela polícia.
Em 20 de outubro de 1980 aconteceram mais quatro assassinatos na cidade de Torres, no estado do Rio Grande do Sul, outra vez deixando uma cidade em pânico. Quando o detetive chegou ao local, notou que as vítimas eram policiais. Eles estavam em uma viatura de frente para a praia, amarrados e mortos.
Um assassino sozinho não conseguiria mobilizar quatro homens, por isso a perícia logo começou a investigar o local e encontrou novamente uma pequena tábua escrito “Anônimo” dentro do veículo. Pelo estado dos corpos, a polícia notou que jeito de o criminoso agir era o mesmo do assassino de dois anos atrás. As investigações duraram meses e não encontraram o culpado. Mais uma vez o caso foi arquivado.
12 de outubro de 1985. Mesmo mês, mesma data de sete anos atrás. Outro assassinato estranho, dessa vez na cidade de Inhumas, estado de Goiás. A morte foi de um padre da cidade, mas o método foi o mesmo, com o acréscimo que dessa vez a vítima foi literalmente crucificada na paróquia. Já fazia cinco anos que não havia assassinatos envolvendo esse serial killer. O tal “Anônimo” voltou a assombrar os brasileiros. Como já era esperado, o caso foi arquivado porque a polícia falhou na investigação, mesmo após meses de trabalho árduo para capturá-lo.
Em 20 de outubro de 1990, na cidade do Rio de Janeiro,
quatro garotas de programa foram encontradas mortas dentro
de um motel. O mais estranho era que cada uma estava em um
quarto. A primeira garota estava no quarto 02, a segunda no 19, a
terceira no 11 e a quarta estava no 90. Isso formou um anagrama,
que não foi decifrado até o momento desta carta.
Dois anos se passaram e, em 2 de outubro de 1992, a polícia ficou alerta para um possível novo ataque. Mas dessa vez
receberam uma boa notícia: um homem fora encurralado perto
do Pão de Açúcar do Rio. Todos os policiais foram chamados para o local. Encontraram um homem com um capuz preto, vestido como um anjo da morte. Os policiais mandaram-no se entregar e abaixar a arma que segurava. Ele estava com uma espada medieval nas mãos.
O que se sabia sobre o “Anônimo” eram seus método e
modo de agir. E algumas testemunhas relataram como eram suas vestimentas. Pela arma diferente, a polícia deduziu que de fato haviam encontrado o assassino que assustara os brasileiros por praticamente uma década. Tudo ia bem até que ele largou a espada, olhou para os policiais com um sorriso e pulou de um penhasco. Tentaram impedir, mas já era tarde demais.
A espada que ele segurava era banhada a prata e nela estava escrito: “Mors regnabit Dominus”. Em tradução literal, “A Morte
Reinará”. Ainda havia dúvidas se aquele cara que se matou era mesmo o serial killer, mas, no dia 12, nada aconteceu. No dia 20, também nada. Logo a polícia deu o caso “Anônimo” como encerrado, o que confortou os familiares das vítimas que esperaram a justiça por anos.
